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11 Dicas no Ensino à distância: Covid-19

Parece cenário dos livros e dos filmes de ficção científica, aquela que vivemos por estes dias...Esta pandemia, imposta por este novo vírus (coronavírus) com cada vez mais estirpes, obriga-nos a adaptarmo-nos a esta nova realidade, cada vez menos nova. A educação não é exceção, com as crianças a deixarem de puder frequentar as escolas e tornou-se imprescindível ajudá-las a aprender a partir de casa.


Ainda não sabemos, durante quanto tempo esta situação veio para ficar...se nos esperam meses ou anos pela frente, até conseguirmos a tão almejada imunidade de grupo.


Apesar de toda a controvérsia nos meios de comunicação, sobre as diferente opiniões do regresso ou não às escolas, existem algumas dicas a ter em conta quando falamos de ensino a distância, que variam e muito das que aplicamos nas aulas presenciais.


Na qualidade de professor, deixo algumas dicas e sugestões práticas para otimizar nas aulas online:


1. Prepare o espaço e teste o equipamento

Parece básico...e é! Só que como estamos em casa, muitos se esquecem de otimizar as condições de trabalho, tal como fazem em contexto escolar. Em casa não está lá aquele professor de TIC que vem socorrer a meio da aula, para solucionar todos os problemas.


Tenha um espaço próprio e dedicado a esse fiz, sem ter a família, o cão e o gato a perturbarem constantemente. De preferência: limpo, arejado e arrumado.


Teste os equipamentos e os recursos digitais antes do início da aula. Não vá depois não conseguir conectar-se ou colocar o equipamento ao serviço da educação.



2. Foque-se no essencial

Mais importante do que estar a debitar matérias atrás de matérias, para cumprir escrupulosamente o programa, é verificar se não é melhor concentrar-se na consolidação de matérias já abordadas. E não se preocupe se não cumprir o programa todo! Feito é melhor do que perfeito!


3. Enquadre a matéria nova num panorama mais alargado

Esta é uma técnica também conhecida por aquilo que Ausubel designou de andaimes cognitivos («scaffolding») ou pontos de ancoragem. E a ideia é procurar que os alunos assimilem a matéria num contexto mais alargado, ou seja, que faça sentido para eles. Consequentemente, em vez de decorarem, compreendem!


4. Consolide conhecimentos

A consolidação de conhecimentos deve ser feita por estágios ou patamares. Aqui, o conhecimento anterior desempenha um papel preponderante e determinante. Antes de avançar a todo o vapor, procure compreender se os alunos estão a acompanhar. Se não aulas existem vários ritmos, fará agora...


5. Transmita os objetivos e os resultados esperados de aprendizagem de cada matéria

Parece básico? E é, pelo menos para o professor, que tem as planificações muito bem elaboradas. No entanto, para os alunos pode ser mais complexo, compreenderem qual o propósito e pertinência do tema.


6. Atenção aos exemplos

Não levanta grandes questões que uma forma eficaz de aprendizagem é utilizar exemplos. Isto porque, tal como aprendi na PNL (Programação Neuro Linguística) os exemplos são ferramentas poderosas que nos fazem compreender melhor, porque estamos lá com o outro, a viver, a sentir, a experienciar, e isso é aprendizagem. Outra ferramenta poderosa que a PNL nos "ensina" é a modelagem, ou seja, fazer imitar um caso de sucesso. Se alguém faz bem e atingiu os resultados propostos, só tenho que descobrir como o fez e fazer da mesma forma.


A roda já foi inventada! Não complique!


7. Acompanhe os alunos durante os exercícios práticos

Não deixe nenhum aluno ficar para trás. Se nas salas de aula, por vezes já é difícil acompanhá-los, agora é bem mais complicado. Ora perdem a ligação, ora não conseguem entrar na sala virtual, ora não ligam a a câmara...enfim, uma panóplia de novas distrações para gerir fazer o nosso melhor para aproximar os conhecimentos e as capacidades dos alunos àquilo que precisam de aprender. Uma boa dica é ir estando atento e acompanhando na resolução dos exercícios, ainda que remotamente.


8. Incentive os alunos a processarem ativamente a matéria

Ainda acredita que aquele "velho" método de ensino de decorar a matéria é bom? Acredito que possa ajudar, mas não é suficiente. Os alunos precisam de estímulos cognitivos que os ajudem a processar a matéria. Sabia que nem todos os alunos privilegiam o mesmo sistema de representação? Então porque utilizar a mesma fórmula com todos? Peça aos alunos que expandam os temas. Coloque-lhes questões que os ponham a pensar, tais como: «O quê?», «Onde?», «Quem?», «Quando?», «Porquê?» e «Como?». Já o fazia? Ótimo! E questões como: «Como isso te faz sentir?», «O que vês...?», «O que ouves...?» e «Isso faz sentido para ti?», entre tantas outras. A ideia é envolver os alunos nas suas aprendizagens, enquanto parte integrante das mesmas. E, respeitando a identidade de cada aluno!


9. Leve os alunos a avaliar o seu conhecimento

Sou apologista da autoavaliação. Se eu não me conheço, como poderá o outro conhecer? A ideia é responsabilizar os alunos e integrá-los no processo avaliativo. Lamento, mas não sou defensor deste sistema de avaliação que resume todo o estudante a um número. Estudos mostram claramente que os testes práticos – prática da recuperação (por oposição à simples leitura da matéria) – aumentam a eficácia da aprendizagem e a retenção da informação, além de permitirem que os alunos percebam até que ponto compreenderam, efetivamente, a matéria. Esta última vantagem é importante, uma vez que, no ensino a distância, os professores têm mais dificuldade em acompanhar pessoalmente o grau de compreensão de cada aluno.


10. Não deixe trabalhos na gaveta

Por sermos seres sociais, o ser humano vive permanentemente à procura do feedback (a aceitação dos outros). É importante que os alunos recebam comentários sobre os trabalhos realizados. Quando me pediram para escrever este artigo, encontrei um outro que dizia que os comentários mais eficazes são os diretivos ao invés dos corretivos. Concordo, que corrigir um aluno e dizer-lhe: «errado: a resposta certa é ...», é uma abordagem completamente retrógrada. No entanto, ao longo deste ano, aprendi que melhor do que um comentário diretivo é uma técnica designada de sanduiche feedback, em que dizemos: «o que acho que especificamente fez bem, foi…e o que possivelmente poderia aperfeiçoar é…e na sua totalidade acho que…(formular em termos positivos).


11. Evite sessões longas

Não caia no erro de querer fazer tudo numa longa e tortuosa sessão para todos. Usando uma metáfora da PNL: "um elefante come-se às fatias". Procure distribuir a matéria por várias sessões mais curtas e vá revendo os conteúdos em um ou em vários momentos posteriormente. Estudos mostram que períodos de estudo mais curtos e devidamente espaçados são muito mais profícuos.


Pequenos hábitos ou mudanças que podem trazer grandes resultados no processo de ensino-aprendizagem.

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Por: Hugo Gonçalves

Professor e formador

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